domingo, 21 de julho de 2013

PEANUTS MINDUIM Tirinhas






MINDUIM
Minduim, o sucesso do fracasso
No dia 2 de outubro de 1950, Charlie Brown atravessou os quatro
quadrinhos da primeira tira de Minduim (Peanuts) — nome imposto
pela UPI e até hoje não aceito por Charles Schulz — para conhecer seu
primeiro vexame: ser odiado pêlos seus semelhantes. Mas apenas den-
tro da história, porque fora dela é amado pêlos leitores dos comics.
Uma tira diária, de segunda a sábado, e uma página dominical em
cores, num total de 17.888 desenhos. Sem contar os livros, as revisti-
nhas, os cartões, as capas, as ilustrações, os invólucros e todo o licensing
e merchandising, pois, como se sabe, esses personagens são dos mais
reproduzidos em todo o planeta Terra, em termos de camisetas, bone-
cos, filmes de cinema e televisão, papelaria, publicidade, spots, pontos
de vendas, anúncios de bancos e sorvetes, postais, piadinhas, pocket-
books, álbuns e mais de novecentas possibilidades de comercialização.
A esse respeito, Schulz rebate as críticas, dizendo estranhar o fato
de as pessoas o acusarem de supercomercializar um produto que é,
basicamente, um objeto comercial. É bom esclarecer que o autor é um
dos raros artistas do género que não trabalha com equipes de desenhis-
tas e roteiristas. Faz tudo sozinho. Acha que os quadrinhos são uma
Grande Arte. Admira os estudos atuais sobre o fenómeno dos comics,
aprecia ser exibido em galerias de arte, achando, porém, que o princípio
básico dos quadrinhos é o divertimento e uma base comercial. O artesa-
nato pode dar um toque pessoal a uma criação, na sua opinião. Os
estudiosos, entretanto, acreditam que sua não-presença nos congressos
para, obviamente, receber prémios, deve-se ao fato de que cada sessen-
ta segundos perdidos pelo autor em entrevistas representam uma perda
de milhares de dólares por minuto. Pois Schulz é, sem dúvida nenhu-
ma, o cartunista mais bem pago do mundo, em todos os tempos. Vive
em sua fazenda na Califórnia e não sai dali nem para tratar de negócios.
Os que querem negociar com ele para ali se dirigem.
Desde os seis anos se julgou um predestinado ao sucesso. Mas foi
com suas falhas e lapsos como criança que criou seus personagens, que
fazem a catarse diária de milhões de crianças crescidas e complexadas.
É o divã diário do psiquiatra mais barato para os leitores do mundo.
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HISTÓRIA DA HISTÓRIA EM QUADRINHOS
 















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